“Respeita as Minas”: A mobilização da torcida do Corinthians com a contratação do técnico Cuca

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“Respeita as Minas”: A mobilização da torcida do Corinthians com a contratação do técnico Cuca

Artigo apresentado e presente nos anais da 8ª Jornada das Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (Juiz de Fora/MG).

Resumo: Alex Stival, mais conhecido como Cuca, é treinador de futebol desde 1998 e conquistou inúmeros títulos a níveis estadual, nacional e continental. No entanto, desde 2021, as torcidas se manifestam contra a sua negociação por seus clubes, devido ao ‘Escândalo de Berna’: Cuca e mais três jogadores do Grêmio foram presos por estupro de vulnerável e condenados posteriormente a 15 meses de prisão em regime aberto na Suíça, nunca cumpridos. Por meio da pesquisa e da análise documental de portais jornalísticos e da mídia segmentada do Corinthians, o presente trabalho relaciona os movimentos realizados nas redes sociais pela torcida corinthiana à demissão de Cuca do clube, ressaltando a importância da cidadania digital e dos movimentos de gênero no meio esportivo.

Palavras-Chave: Cidadania Digital, Movimentos de Torcidas, Jornalismo Esportivo, Jornalismo Digital, Redes Sociais

Introdução
O treinador Alex Stival, conhecido como Cuca, tem sido alvo de manifestações de torcidas de futebol desde 2021 devido à sua condenação por estupro de vulnerável em 1987, na Suíça. Ao passo que os movimentos de gênero e o empoderamento feminino no esporte se intensificaram, as torcidas passaram a protestar contra a negociação de treinadores e de jogadores que praticaram crimes contra mulheres, impedindo essas contratações.

A Copa do Mundo Feminina de 2019 foi um grande evento precursor do desenvolvimento de uma cultura mais respeitosa em relação ao futebol feminino no país, ao mesmo passo que as torcedoras também ganharam voz nas torcidas desse esporte, a partir de movimentos de gênero (como a criação de coletivos e outras manifestações específicas entre a segunda e a terceira década do século XXI) e do apoio de instituições sociais e esportivas.

Dessa forma, os movimentos sociais são responsáveis por produzir novos valores às instituições da sociedade e criar, assim, novas normas para a organização da vida social. Além disso, esses movimentos são encarregados também de exercer o contrapoder em relação aos detentores do poder institucional, a partir de um processo de comunicação autônoma livre do controle desses governantes (Castells, 2012).

Como consequência, os movimentos das torcidas contra a admissão de Cuca em seus times do coração demonstram uma maior preocupação desse público com questões que envolvam a violência contra a mulher. O protesto pioneiro foi em sua passagem ao Atlético Mineiro em 2021, depois, outras mobilizações foram realizadas pelas torcidas do Athletico Paranaense, do Cruzeiro e do Corinthians.

No Brasil, outros dois casos se tornaram relevantes no cenário esportivo: Robinho, culpado por estupro coletivo na Itália em 2013 e Daniel Alves, condenado por “agressão sexual” na Espanha em 2022. Enquanto Robinho foi condenado a cumprir pena de nove anos de prisão no país, Daniel Alves foi liberado após o pagamento de uma fiança de 1 milhão de euros. O atacante chegou a sofrer ataques após sua contratação no Santos, tanto por protestos da torcida alvinegra como por ameaças dos patrocinadores do clube, o que resultou na suspensão do seu contrato; já o lateral-direito não chegou a ter propostas após o ocorrido. No caso de Cuca, devido a pena nunca ter sido cumprida, o crime foi prescrito (Souza, 2024; Rei, 2024; Fernandez e Capelo, 2020).

O objetivo deste trabalho é relacionar os movimentos das torcidas nas redes sociais com as decisões tomadas (ou não) por seus clubes, utilizando como base o caso do Corinthians em 2023. Por meio da pesquisa e da análise documental de portais jornalísticos e da mídia segmentada corinthiana, será descrito e estudado no artigo como esses movimentos sociais aconteceram e que escolhas foram tomadas pelas instituições de futebol a partir dessas discordâncias, ressaltando a importância da cidadania digital e dos movimentos sociais e de gênero no meio esportivo.

Movimentos sociais e cidadania digital no esporte

O futebol era considerado um esporte com ambiente predominantemente masculino, restrito até mesmo para mulheres espectadoras. As jogadoras foram proibidas de praticá-lo entre 1941 e 1979 no Brasil e a primeira edição de Copa do Mundo só aconteceu em 1991 (60 anos depois da masculina), atingindo o auge de sua popularidade na edição de 2019, na França. A audiência da modalidade esteve em ascensão nos anos seguintes, sobretudo com o retorno dos campeonatos após a pandemia da Covid-19. Esse crescimento se relaciona diretamente com a intensificação dos movimentos de gênero no ambiente esportivo não apenas das jogadoras, mas de todas as mulheres envolvidas (Soares, 2022, 2024).

Os movimentos de gênero se intensificaram simultaneamente com a ocorrência das Guerras Mundiais, quando a mulher ganhou mais espaço no mercado de trabalho e passou a reivindicar direitos igualitários em comparação aos homens, como o direito ao voto e o acesso à educação, além da aquisição de métodos contraceptivos. No esporte, o percentual de atletas mulheres cresceu significativamente nos Jogos Olímpicos. Além disso, a pesquisadora Margareth Rago relacionou esses movimentos à “explosão na área de produção historiográfica brasileira”. Por último, o feminismo se tornou parte da agenda global a partir da década de 1980 (Rago, 1999, apud Bonfim, 2019; Fundação FHC, 2020; Soares, 2024).

Para Silvana Goellner (2013), o esporte é uma prática social sexuada e generificada, com a construção de identidades masculinas e femininas. Por outro lado, Pierre Bourdieu (2012) evidencia que a estrutura da sociedade expõe a dominação masculina por meio da divisão de atividades atribuídas ao homem e à mulher. Por exemplo, sempre considerou-se o Hóquei um esporte praticado por homens e a Ginástica Artística um esporte praticado por mulheres. O que foge a essas construções e atribuições é responsável por desestabilizar essas representações de gênero socialmente construídas e motivar, assim, esses movimentos sociais (Bourdieu, 2012; Goellner, 2013; apud Soares, 2024).

Alguns movimentos de gênero que ganharam repercussão digital mundialmente foram o #MeToo (#EuTambém, em tradução livre), idealizado pela ativista americana Tarana Burke para denunciar casos de assédio sexual e o “HeForShe” (ElesPorElas, em português), coordenado pela ONU Mulheres, sobre a luta pela igualdade de gênero. No esporte, o movimento #GoEqual teve o intuito de defender salários e oportunidades iguais para jogadores e jogadoras (Cardoso, 2019; Oliveira, 2020; BBC Brasil, 2024).

Dessa forma, as redes sociais se tornaram espaços de autonomia, já que os meios de comunicação tradicionais estavam sujeitos a influências diretas de governos e empresas, onde as pessoas se juntavam para discutir assuntos em comum e organizar movimentos na sociedade. Em todo caso, as redes de comunicação são, por conseguinte, fontes decisivas de construção do poder (Castells, 2012).

Compartilhando dores e esperanças no livre espaço público da internet, conectando-se entre si e concebendo projetos a partir de múltiplas fontes do ser, indivíduos formaram redes, a despeito de suas opiniões pessoais ou filiações organizacionais. Uniram-se. (Castells, 2012, p.7)

Consequentemente, as torcedoras passaram a se organizar virtualmente e criaram coletivos femininos para que não estivessem sozinhas nos estádios, locais onde sofriam assédio e machismo por parte de torcedores do sexo masculino. Alguns exemplos são o Coletivo Elis Vive (do Grêmio), as VerDonnas (do Palmeiras), as Vascaínas contra o Assédio (do Vasco da Gama) e a Grupa (do Atlético Mineiro); e de forma unificada, torcedoras de todas as regiões do país formaram o grupo Mulheres de Arquibancada. Entre suas ações, incluem-se campanhas de incentivo à presença de torcedoras nos estádios e principalmente de combate à violência contra a mulher. (Globo Esporte, 2020; Santana, 2020; Fernandes, 2022).

Para o professor e pesquisador Massimo Di Felice, em sua obra La cittadinanza digitale, a cidadania digital surgiu a partir da crise da ideia ocidental de democracia e da participação nas redes digitais, levando em conta que o elemento humano aparece sempre rodeado de seus demais entes, coisas ou outros seres vivos. Em uma ideia pobre e simplificada da sociedade, composta por indivíduos organizados em classes e instituições e localizados em espaços urbanos, estados e nações — separados do mundo não humano, reduzido a coisa, ‘rex extensa’ e matéria-prima. Torna-se imprescindível, pois, repensar toda a natureza dessa nova ação viabilizada pela conectividade em rede (Junior, 2019).

Já o antropólogo Néstor Canclini e o sociólogo Eliseo Verón relacionam os meios de comunicação com o funcionamento das instituições e da ordem social. Canclini afirma que esses veículos mantêm e reproduzem a ordem social, modificando o que rompe com essa organização de forma a preservar o estado das coisas. Já Verón disserta que a mídia afeta o funcionamento e a realização das práticas das instituições sociais, estando diretamente relacionadas com os atores individuais. Para o autor, o termo “Midiatização” caracteriza a mudança social da mídia para parte do tecido social (Canclini, 2002; Verón, 2007).

Em entrevista sobre o caso estudado para a Exame, Karla Gobo, professora de Jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e doutora em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou:

A internet e as redes sociais facilitam a organização das insatisfações e das pressões, para o bem e para o mal. Neste caso, ajudam a fomentar uma discussão necessária e importante sobre questões como a violência sexual contra crianças e adolescentes, a qualidade da cobertura jornalística, as mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas e como o futebol reproduz comportamentos e práticas violentas e misóginas (Exame, 2013).

Em síntese, o advento das redes sociais possibilitou a criação de organizações formadas por indivíduos que defendem um mesmo ideal — podendo ser coletivos ou apenas grupos com pensamentos em comum — e que podem, assim, se manifestar contra atitudes de governos ou de outras organizações detentoras do poder. Essa forma de cidadania digital, praticada principalmente pelos movimentos sociais e de gênero, contribui para que mudanças aconteçam. Já os meios de comunicação podem ser responsáveis pela manutenção do controle desses governantes ou combustível para a transformação da ordem social.

O Escândalo de Berna

O “Escândalo de Berna” aconteceu em julho de 1987, em uma excursão à Suíça realizada pelo Grêmio para a disputa de um torneio amistoso — a Copa Phillips. Cuca e mais três jogadores foram acusados de estupro coletivo de uma menina menor de idade, Sandra Pfäffli, em um apartamento do hotel Metrópole, em Berna. Apesar de o treinador declarar inocência no caso, a perícia encontrou vestígios de seu sêmen no corpo da vítima. Em agosto de 1989, os jogadores foram condenados a 15 meses de prisão em regime aberto e a uma multa de 8 mil dólares, nunca cumpridos por não terem retornado ao país e expirados após 15 anos. Em novembro de 2023, a justiça suíça reabriu o caso a pedido da defesa de Cuca, decorrente das suas consequências nos seus últimos trabalhos, mas já havia prescrito (Der Bund, 1989; Candal, 2024).

Na época do ocorrido, a imprensa brasileira noticiou de forma que os leitores entendessem que os jogadores eram inocentes das acusações, com fragmentos como “a garota que provocou o incidente” e até uma fala do vice-presidente do clube sobre ser “uma trama, uma armação”. Outras representações utilizadas pelos jornais foram falas de familiares — principalmente esposas e mães — dos jogadores para sua defesa, descredibilizando a vítima em um paradoxo relacionado à violência contra a mulher. Os quatro atletas foram reintegrados normalmente ao elenco e recebidos com festa por mais de dois mil torcedores no aeroporto de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (Medeiros, 2021; Wisnieski, 2022).

Imagem 1 – Notícia do Zero Hora do dia 01 de agosto de 1987 sobre a prisão dos jogadores.
Fonte: MEDEIROS, 2021.

Dessa forma, uma das maiores repercussões ocorreu em março de 2021, quando Cuca foi anunciado como novo técnico do Atlético Mineiro. Alguns torcedores do clube fizeram campanha nas redes sociais por meio da hashtag #CucaNão. Mesmo com o movimento, ele permaneceu no cargo, foi campeão brasileiro e eleito o melhor treinador da competição, além dos títulos do Campeonato Mineiro e da Copa do Brasil. No final da temporada, Stival entregou o cargo alegando problemas pessoais e familiares, e até retornou ao clube em julho do ano seguinte, dessa vez, permanecendo apenas por três meses e sem destaques (TNT Sports, 2021).

Na época, a diretoria do clube se posicionou, dizendo que o assunto estava encerrado e que confiava no treinador e na defesa de sua inocência: “O Clube Atlético Mineiro afirma confiar no treinador, em suas palavras e, principalmente, em sua conduta: sempre proba e séria, inclusive durante o período em que treinou o nosso time” (ESPN, 2021). A equipe ainda assegurou ter “absoluto respeito pelas mulheres” e garantiu que “defende a bandeira da igualdade e repudia qualquer ato de violência ou discriminação, contra quem quer que seja” (ESPN, 2021).

Além desse caso e o do Corinthians, que é o objeto de estudo da presente pesquisa, outros dois casos foram relevantes para a escolha do tema. A sua posterior chegada ao Athletico Paranaense, onde após a sua estreia, leu um texto, que disse ter escrito ao lado de sua esposa e suas filhas, pedindo desculpas a todas as mulheres pelo o que aconteceu, além de ter realizado outras ações no clube, como a participação em uma palestra sobre violência contra a mulher para a base e a equipe feminina. Após a sua saída do clube do Paraná, o Cruzeiro foi apontado como possível novo destino, mas novamente, após manifestações da torcida desfavoráveis à sua contratação, o clube manteve, assim, o treinador interino Fernando Seabra (Candal, 2024; Globo Esporte, 2024; Ribeiro, 2024).

Confira a seguir um fragmento do pronunciamento de Cuca após sua estreia como técnico do Athletico Paranaense:

(…) Já entendo que a realidade tem que ser transformada para que o mundo seja um lugar mais seguro para as mulheres. O mundo do futebol ainda é um mundo de muito preconceito. Entendi que quando me cobram não é só sobre mim, é sobre a forma como tratamos as mulheres. Não estou falando isso como fala isolada para agradar alguém, ou da boca para fora. Se fosse assim teria me manifestado antes. Falo isso de coração. Quero e me comprometo a fazer parte da transformação. Vou fazer isso com o poder da educação. Quero ajudar. Quero jogar luz, usar a voz que tenho para, ao mesmo tempo que me educo, educar também outros homens, principalmente os jovens que amam futebol (Candal, 2024).

Protesto dos torcedores do Corinthians

No dia 20 de abril de 2023, Cuca foi anunciado como novo treinador do Corinthians. Ele estreou no dia 23 do mesmo mês, em uma derrota por 3 a 1 diante do Goiás fora de casa, e anunciou a sua saída do clube quatro dias depois, na vitória por 2 a 0 contra o Remo na Neo Química Arena, em São Paulo. Isso aconteceu devido à grande movimentação da torcida contra a sua contratação, com direito à manifestação de torcedoras e de pichações nos muros do centro de treinamento Parque São Jorge (Durães, 2023).

O técnico chegou a defender a sua inocência na entrevista coletiva de apresentação ao clube, dizendo que “tem repórteres e pessoas que eu já discuti que falam que devo uma desculpa pra sociedade, porque eu devo uma desculpa se eu não fiz nada?”, mas o advogado suíço da vítima na época revelou que ela reconheceu o treinador como um dos infratores, além da identificação de seu sêmen dentro do corpo da garota após exames do Instituto de Medicina Legal da Universidade de Berna (Meu Timão, 2023; O Time do Povo, 2023).

Além das manifestações presenciais no Parque São Jorge, o slogan “Respeita as Minas” foi bastante utilizado pela torcida nas redes sociais, frase idealizada pelo clube para campanhas em prol dos direitos das mulheres e do futebol feminino. Algumas personalidades também se manifestaram contra a contratação do treinador. A atriz Alessandra Negrini comentou “Triste” na publicação do anúncio oficial do clube, enquanto MC Hariel também demonstrou sua insatisfação com o comentário “Não vira” (Brito, 2023; Durães, 2023; Hübner, 2023; O Time do Povo, 2023).

Imagem 2 – Muro do CT do Parque São Jorge pichado por torcedores do Corinthians.
Fonte: GP1 Esporte, 2023.

A torcida também demonstrou apoio à equipe feminina em partida contra o Internacional, no dia 24 de abril de 2023, pelo Campeonato Brasileiro Feminino, no Estádio Monumental do Cristo Rei, em São Leopoldo-RS, por meio de um cartaz pendurado na arquibancada escrito “Estamos juntas. Essa luta é de todas nós” (Durães, 2023).

Imagem 3 – Cartaz em apoio às jogadoras do Corinthians em partida da equipe feminina.
Fonte: Durães, 2023.

As jogadoras mostraram a sua insatisfação através de uma nota publicada em suas redes sociais pessoais com os dizeres “Respeita as Minas não é uma frase qualquer”, no dia de sua estreia. Apesar dos protestos não terem resultado em ações tomadas pelo clube, sucederam no pedido de demissão pelo próprio treinador, comprovando a sua influência direta em ações a serem tomadas (Durães, 2023; Hübner, 2023).

A Força da Fiel

O Corinthians apresenta um contexto histórico bastante significativo, com a “Democracia Corinthiana”, que aconteceu na década de 1980. Jogadores como Sócrates, Wladimir, Casagrande e Zenon protestaram pelo fim da ditadura militar no Brasil e pela volta do direito ao voto para presidente, ausente desde 1960. Além disso, as decisões do clube eram realizadas por meio do diálogo e do voto igualitário de seus membros. Logo, os movimentos sociais da torcida sempre foram incentivados desde o século XX (Globo Esporte, 2020; FIFA, sem ano).

Para a realização do presente trabalho, foi utilizada a pesquisa e a análise documental, segundo Bardin (1977). Para Junior et al (2021), os diferentes documentos, “entre eles leis, fotos, imagens, revistas, jornais, filmes, vídeos, postagens e mídias sociais, não sofreram tratamento” — isto é, fontes primárias, ao contrário de livros e artigos científicos que são fontes secundárias — e, por isso, podem ser utilizados no corpus dessa pesquisa sob aspectos qualitativos e quantitativos. Os principais veículos utilizados foram os tradicionais Globo Esporte, O Globo, ESPN, TNT Sports, CNN Brasil e BBC Brasil, além da mídia segmentada Meu Timão, Central do Timão, Time do Povo e Identidade Corinthiana.

A torcida do Corinthians é a segunda maior do Brasil e apresenta 52% de sua torcida do gênero feminino. Como consequência, suas movimentações trazem grande impacto e repercussão na mídia e no futebol brasileiro. Logo, assim que o treinador foi anunciado, algumas torcidas já se organizaram para mostrar o seu descontentamento com o clube. A maior torcida organizada alvinegra, a Gaviões da Fiel, não se manifestou sobre a sua contratação (devido à divisão de opiniões do presidente e do vice-precidente sobre o caso), ao contrário de outras como Camisa 12, Pavilhão 9 e Estopim da Fiel que se pronunciaram em sua oposição (Bernardes, Bocatto, Cara, 2023; O Time do Povo, 2023; Parrela, 2024).

Imediatamente após o anúncio do clube, manifestações tomaram conta das redes sociais, pronunciamentos foram publicados e até um abaixo-assinado foi criado exigindo a demissão do treinador. Um dos patrocinadores da equipe, o Banco BMG, divulgou uma nota repudiando os casos de violência contra as mulheres e a chegada de Cuca. Os protestos no Centro de Treinamento do Parque São Jorge só foram possíveis devido à organização da torcida — principalmente mulheres — pelas redes sociais (Costa, 2023).

Confira a seguir a nota de repúdio publicada pelas torcedoras do Corinthians sobre a contratação de Cuca:

FORA CUCA! TORCEDORAS DO CORINTHIANS REPUDIAM CONTRATAÇÃO DO TÉCNICO
Nós, torcedoras do Corinthians, fomos pegas de surpresa na tarde de 20 de abril, com o anúncio da contratação de Cuca como técnico do time do povo.
Para quem não recorda ou não sabe, Cuca e mais alguns jogadores, foram condenados a 15 meses de prisão, em um caso de estupro a uma menor, quando estava na Suíça, em 1987. Cuca fugiu do país para não ser preso, e nunca mais voltou para lá. Até 2004, ele não podia sequer visitar o país. Hoje o crime está prescrito.
Nós, que somos representantes do povo, time dos excluídos, em 2020, quando vimos o Santos anunciar a contratação de Robinho, ficamos indignadas e pensamos que tal fato jamais aconteceria no Corinthians. Mas eis que hoje o nosso time anuncia a contratação de um homem acusado e condenado por estupro. Não nos interessa se o crime prescreveu ou não, o que está em jogo é o nome e a história do Corinthians.
Não iremos aceitar que o comando do nosso time seja entregue nas mãos de uma pessoa que carrega em seu currículo o histórico de abuso sexual.
#ForaCuca (Meu Timão, 2023)

Além do movimento da torcida, a própria equipe feminina do Corinthians realizou os seus protestos nas mídias sociais, a partir da publicação de uma nota dizendo que “Respeita as Minas não é uma frase qualquer”. Por outro lado, as jogadoras sofreram ameaças tanto nas ruas como nas redes sociais por causa da ação (Correio do Povo, 2023; Hübner, 2023).

Confira o texto publicado pelas jogadoras em suas redes sociais:

Estar em um clube democrático significa que podemos usar a nossa voz, por vezes de forma pública, por vezes nos bastidores. “Respeita as Minas” não é uma frase qualquer. É, acima de tudo, um estado de espírito e um compromisso compartilhado. Ser Corinthians significa viver e lutar por direitos todos os dias (Zanotti, 2023).

O termo “Respeita as Minas” surgiu ao mesmo passo que os movimentos de gênero ganharam espaço no esporte brasileiro. O slogan foi adotado pelo Corinthians em 2018, em uma campanha do Dia Internacional da Mulher que ofereceu entrada gratuita para as mulheres no dia 8 de março e meia-entrada nos demais jogos do mês. Outras ações da campanha foram debates, palestras e cursos gratuitos para as sócias torcedoras do clube. Em 2022, a terceira camisa do Corinthians apresentou essa frase na sua parte de trás, além da cor roxa em homenagem aos diversos movimentos feministas ao longo da história (Durães, 2023).

Por outro lado, ao mesmo tempo que “As Brabas” tomaram o seu partido, os jogadores do elenco masculino profissional defenderam o treinador, em uma ação que tomou grandes proporções: um abraço em Cuca após a classificação da equipe contra o Remo na disputa de pênaltis da segunda fase da Copa do Brasil. Um dos integrantes da Democracia Corinthiana, o ex-jogador e comentarista Walter Casagrande, criticou a iniciativa em sua coluna no portal de notícias UOL (Cassucci & Braga, 2023; Casagrande, 2023).

O cenário do comportamento, dos princípios e dos valores do nosso futebol é dos piores possíveis. Os jogadores vivem calados e, quando resolvem falar ou agir, escolhem muito mal. Será que vocês não perceberam que aquele abraço apertado no Cuca significa abraçar todos os homens abusadores, condenados ou não? (Casagrande, 2023).

Imagem 4 – Jogadores do Corinthians abraçam Cuca após classificação na Copa do Brasil
Fonte: Cassucci & Braga, 2023.

O jogador Roger Guedes e o presidente Duílio Monteiro Alves — filho de Adilson Monteiro Alves, um dos idealizadores da Democracia Corinthiana — se manifestaram a favor do treinador em inúmeras situações na imprensa na época. Guedes afirmou que “O jeito que atacaram ele (sic) foi desumano”, que acredita em sua palavra e que tentou convencê-lo a continuar no clube. Já o ex-presidente alvinegro considerou um “exagero e massacre”, que envolveu inclusive a diretoria e o clube nesses protestos (Cardoso, 2023; O Time do Povo, 2023).

Em sua coluna no Meu Timão, o advogado Roberto Piccelli (2023) opinou que “se ele pretende um dia se redimir como pessoa pública, deverá enfrentar a sério o assunto, por mais doloroso que seja, em vez de invocar um apagão de memória que, sinceramente, não convence”, algo que o treinador fez posteriormente em sua passagem pelo Athletico Paranaense. Além disso, o mesmo portal chegou a organizar “uma rede de advogados e advogadas comprometidos com a liberdade de expressão para a defesa gratuita e intransigente” de jornalistas e torcedores que se sentissem ameaçados ou fossem alvo de qualquer medida de intimidação (Meu Timão, 2023).

Em relação à mídia segmentada observada, o Meu Timão foi a única que apresentou colunistas que tiveram a liberdade de expressar suas opiniões sobre o caso — mesmo que afirmando que a opinião não necessariamente é a mesma do portal em questão —, enquanto o Identidade Corinthiana e o Central do Timão apresentaram as notícias de forma parcial e objetiva, com o último apresentando um maior contingente de notícias e de atualizações sobre o caso. Por fim, o portal O Time do Povo utilizou uma linguagem mais informal e menos jornalística em sua comunicação, com títulos que apresentavam clickbait e enquetes com os seus seguidores nas redes sociais sobre o ocorrido.

Considerações Finais

O esporte, principalmente o futebol, não é mais uma terra de ninguém, em que se permite que qualquer pessoa faça parte e influencie o seu público. Os envolvidos descontentes organizam movimentos sociais quando necessário para que os dirigentes dos clubes e de outras entidades tomem ações ou as desfaçam, principalmente no que condiz ao tópico da violência contra a mulher, caso estudado na presente pesquisa.

Apesar do primeiro movimento realizado contra o técnico Cuca não ter atingido o sucesso, em sua passagem pelo Atlético Mineiro em 2021, aquele que ocorreu no Corinthians foi chave para que mais protestos acontecessem no país — como a suspensão do contrato de Robinho no Santos — ressaltando a importância da cidadania digital no esporte principalmente na transição entre a segunda e a terceira década do século XXI.

Os meios de comunicação também podem impactar nessas ações, já que eles podem tanto defender os detentores de poder e contribuir para a manutenção do domínio dessas autoridades; podem não declarar partido — o que também é tomar partido — e podem influenciar o seu público e essas organizações a tomarem iniciativas e realizarem movimentos para que mudanças aconteçam.
Em suma, os movimentos de torcidas nas redes sociais têm influenciado positivamente nas escolhas das contratações nos clubes e em outras instituições no esporte, sejam jogadores, treinadores ou outros dirigentes. Ainda, também contribuem para maior conscientização de toda a torcida sobre tópicos importantes relacionados principalmente a gênero, modificando uma ideia patriarcal e obsoleta sobre a mulher no esporte, sobretudo no futebol.

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